As práticas modernas sempre reforçam bastante a estrutura, previsibilidade e planejamento até o último ponto final. Esse é o tipo de coisa que nós, gestores, gostamos de contar vantagem. Para nós, e para a empresa, em muitos casos, esse é um ótimo cenário.
Toda essa bagagem vem das engenharias. Engenharia de processos, engenharia de produtos, engenharia de produção, engenharia de software. A palavra “engenharia” evoca exatidão, controle, estrutura, clareza.
Já o contrário é a engenhosidade. A capacidade de adaptar, de resolver problemas, de reagir, de navegar a incerteza e sair do outro lado melhor.
A engenharia existe e funciona perfeitamente bem em ambientes conhecidos, controláveis, reproduzíveis.
Porém, esse modelo falha com os desenvolvedores. Trabalhando dessa maneira, transformamos os desenvolvedores, que são “trabalhadores criativos”, em “trabalhadores manuais”, gente que só repete um processo, sem muita criatividade, sem muita necessidade de pensamento, planejamento e espaço.
Tendemos a transformar o trabalho em algo maçante, chato, tedioso e isso vem matando muitos sonhos ao longo do caminho. Muitas pessoas desistiram de TI, especialmente no desenvolvimento de software, por terem tido essa rotina durante muito tempo.
Quando os projetos são previsíveis, com funcionalidades já mapeadas e sem muitas surpresas, trabalhar dessa maneira pode ser eficiente, mas provavelmente não vai manter ninguém feliz por muito tempo.
A realidade é que, programadores devem, e precisam, ter uma rotina mais aberta, menos planejada, e com cronogramas menores. De modo geral, devemos cuidar da nossa equipe como cuidaríamos dos nossos filhos. Dar espaço a eles, permitir que escolham o que fazer, experimentem, errem, acertem e cresçam.
O nosso papel é prestar suporte a essas atividades, ajudar quando algo dá errado, direcionar sempre que possível, mas nunca sobrepondo a autonomia.
Somente em uma empresa como essa é possível colher os reais frutos de se ter esse tipo de profissional na equipe. São pessoas que adoram desafios, buscam sempre melhorias e procuram, ao máximo, agregar valor.
Precisamos aprender a equilibrar essas necessidades, executando a estratégia da empresa e atingindo os objetivos do projeto. Podemos manter um nível de estrutura necessário para manter a previsibilidade e o controle, sem remover a possibilidade de manter o ambiente de experimentação e inovação da equipe.
